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E se eu não fosse eu…



E se eu não fosse eu? Bom, deixa eu te dizer o que eu estaria fazendo agora. Provavelmente aguardando a refeição. Nem sempre tem hora certa, mas é sempre certo que tem comida boa. Entre tapas - e nenhum beijo - é costume ter algo de se lambuzar para comer.

Dia de costelinha ao molho barbecue. E dizer que um porco teve que morrer para outros saciarem a fome. Não hesito em ir direto ao molho. Uma lambidinha, duas lambidinhas e preciso parar. Ainda não tinha autorização para comer, nunca tenho. Em minha curta vida aprendi que preciso voar para cima da comida se quero garantir um pouco da refeição. Todos são afobados e ninguém dá bola para mim. Só como se ninguém percebe minha presença.

Decido descansar perto da janela. Talvez sobre salada para mim. A maionese também está bonita, atrativa. Mas supostamente não são comidas que servem para mim. Eles bem que poderiam deixar um pouco de pudim. Também não ganho.

Na verdade o que eu ganho são apenas berros, palmadas e palavras de ódio. Já me acostumei. Não quero sair daqui, tenho medo do mundo lá fora. Tantos perigos. Foi aqui que nasci, bem ali. Em cima daquela pia e aqui vou ficar. Aprendi a me virar.

Ótimo. Sobrou um osso no prato com bastante carninha. Minha vez. Chego perto e… Droga, foi por pouco. Quase levei um tapa.

Vou tentar mais uma vez. Bater minhas asas ao máximo e esticar minha mandíbula. Pluft!

Interrompemos essa história pela morte repentina da protagonista sob um mata-moscas.


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