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Onde o verbo se enfiou - Marina Hadlich


A pedidos, vou começar a postar todos meus contos do instagram aqui também.

Começamos com esse engraçadinho, publicado em 10/9/2019.


“Gerúndio não tinha apenas um nome incomum dado por seu pai na época em que a língua portuguesa era sua maior obsessão, também lhe deu um cão com um sentido incomum. Verbo tinha a mania de cheirar as pessoas. Tudo normal, se não fosse pelo local que o bicho se dirigia. Sempre nas partes traseiras das pessoas. Algo comum para a ciência. Agora explica para a moça na padaria, para a senhorinha na feira.

Não bastasse a vergonha de se apresentar quando chegava, Gerúndio era obrigado a já pedir desculpas pelo Verbo que, apesar do nome, nunca estava solto, mas sempre preso à coleira rente ao dono.

Vergonha passava o menino de apenas 15 anos quando ao sair da escola encontrava seu cão fujão esperando-o do outro lado da rua do estabelecimento, pois como sempre, ele estaria indo de pedestre em pedestre enfiando o nariz, digo, focinho onde não era chamado.

As pessoas soltavam o verbo contra o menino, não, não me refiro ao cão, mas sim às palavras grosseiras que dirigiam ao dono do cão farejador, faro que só servia para incomodar as pessoas na rua.

Até o dia em que Verbo decidiu farejar uma menina da idade aproximada de Gerúndio na saída da escola. Não, ela não se chamava vogal, fonética, nem nada assim, mas era uma sujeita bonita como ninguém e que atraiu o Verbo. Tanto que o cachorro chegou a levantar a saia da menina. Aí já viu o furdunço. O pai dela viu tudo de longe e foi tirar satisfação com o dono do cachorro quando viu que o animal tinha coleira.

Gerúndio não sabia onde enfiar a cara… O Verbo, não sabia onde enfiar o focinho, ou melhor, sabia, estava pronto para dar mais uma fuçadinha. Até tentou partir para cima do pai da guria, que num golpe de sorte se virou na hora certa… Foi quando Gerúndio pegou o bichinho no colo, pediu desculpas e disse que a mãe dele não tinha conseguido dar educação para o animal, já que por ser o Verbo muito metido, não aceitava ordem de sujeito nenhum, nem na base da oração tinha solução. Como predicado, só tinha de ser aloprado, metia o focinho sempre onde não era chamado.

O pai da menina achou graça e desculpou Gerúndio, ainda mais depois de ouvir o nome do menino, pensou que esse coitado já tinha que carregar um grande fardo”.🐶


Marina Hadlich

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